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Enfrentamento ao Turismo Sexual

nota_de_repudio_FIO.jpg O fen√īmeno do turismo sexual ou da explora√ß√£o sexual no ambiente do turismo, mostra que h√° elementos culturais, fortemente inseridos, nas condi√ß√Ķes que o favorecem. A domina√ß√£o de g√™nero, de ra√ßa, de classe e de gera√ß√£o contribuem para que as viol√™ncias sexuais cres√ßam, atingindo em maior n√ļmero as mulheres e crian√ßas, negras e pobres, das comunidades brasileiras, que s√£o v√≠timas dos abusados brasileiro e/ou estrangeiro.
Neste contexto o turista estrangeiro representa, dentro do turismo sexual, o papel do príncipe encantado para esta mulher adulta ou adolescente explorada, e ela por sua vez, é vista, aos olhos do abusador, como uma mulher exótica, sexy e submissa aos desejos masculinos, além de oferecer um sexo barato, e por vezes proteção contra roubos e abusos de comerciantes.

Estes fatores,somados a uma propaganda disseminada, fortemente nas décadas de 1960, até meados de 1990, alastrou o turismo sexual. Os países tropicais e suas mulheres foram utilizados como atrativos turísticos. Assim, disseminou-se a ideia que países de clima quente, sol e mar, eram verdadeiros paraísos onde tudo era permitido. Isto foi a base necessária para o crescimento da exploração sexual em todo o mundo. Em 1990 a situação do turismo sexual era insustentável. No Brasil e em vários outros países, chegavam voos charters com centenas de homens que frequentavam as áreas de exploração sexual, e isso também foi um incentivo para virar o paraíso dos pedófilos. Homens que nos seus países respeitavam as leis e nos países tropicais cometiam todo tipo de violência sexual.

√Č neste cen√°rio que surge o ECPAT em v√°rios pa√≠ses. No Brasil √© uma coaliz√£o 23 entidades com a miss√£o de enfrentar a viol√™ncia sexual. Nossa Rede √© oriunda de uma ONG que se lan√ßa nesse enfrentamento e se soma a v√°rias pessoas, no mundo todo, que acreditam que pessoas n√£o s√£o objetos sexuais para serem explorados. Desde 1996 o ECPAT vem constru√≠do planos, pol√≠ticas, a√ß√Ķes e estrat√©gias para enfrentar a viol√™ncia sexual no mundo. Em especial no Brasil muitos avan√ßos foram pactuados, mas muito ainda precisa ser feito.

Nos pa√≠ses que oferecem este mercado violador a maior caracter√≠stica √© a condi√ß√£o de baixa cidadania e baixa garantia de direitos das pessoas v√≠timas. As muitas viola√ß√Ķes de direitos e os alt√≠ssimos n√ļmeros de viol√™ncia dom√©stica, em conjunto com outros fatores de vulnerabilidade social e econ√īmica, aumentaram o fen√īmeno. Isto provocou os pa√≠ses, em especial o Brasil, a constru√≠rem pol√≠ticas, planos e estrat√©gias de enfrentamento. Passado duas d√©cadas, o Brasil n√£o pode andar na contram√£o da preven√ß√£o. O nosso passado pode facilmente retornar com os desmontes nas pol√≠ticas p√ļblicas e o retorno a ideias conservadoras e machistas.

Recentemente o presidente Jair Bolsonaro (PSL), divulgou em Rede Nacional que os turistas poderiam vir ao Brasil a procura de nossas mulheres. Neste momento o mais alto funcionário publico do país presta um desserviço a população, e ao Enfrentamento do turismo sexual e de todas as violências sexuais. Lamentável. Infelizmente, esta fala pode servir de estímulo a violação sexual de nossas mulheres, além de estimular a homofobia, pois segundo o presidente ele prefere que venha ao Brasil o turista sexual, em vez do turista homossexual. Esta fala está inserida num discurso de ódio e de discriminação vinda do maior servidor publico da nação.

O que nos faz ter convic√ß√£o de que a educa√ß√£o sexual, a igualdade de g√™nero, o combate ao machismo, ao racismo e a homofobia e a educa√ß√£o sexual precisam come√ßar na escola, ainda bem cedo, para ensinar as novas gera√ß√Ķes que n√£o precisamos ser v√≠timas de viol√™ncia e nem se transformar em agressores. Que podemos pedir ajuda, que h√° uma sociedade preocupada em enfrentar a viol√™ncia sexual e proteger a inf√Ęncia. Mas, este triste epis√≥dio, que repudiamos e lamentamos, nos lembra que n√£o podemos esquecer, que muito ainda precisa ser feito para educar a na√ß√£o contra a viol√™ncia sexual e sexista.



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