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Nota coletiva de posi√ß√£o sobre a ‚ÄėChacina de Campinas‚Äô

daniela_lima_boitempo_campinasAdrian_Ghenie_Pie_Fight_Study_2_2008.jpg O feminic√≠dio de Isamara Filier e mais 8 mulheres de sua fam√≠lia, ocorrido na madrugada do dia 1 de janeiro, em Campinas-SP foi o motivo desta Nota que a cada dia ganha mais apoios e assinaturas de organiza√ß√Ķes feministas e aliadas. Contudo destacamos que, infelizmente, em 4 de janeiro de 2017 outro feminic√≠do coletivo foi noticiado, desta vez em Feira de Santana, matando cinco mulheres, filhas e parentes do assassino que encontra-se foragido.

Pelo direito à viver uma vida sem violência!
A trag√©dia anunciada durante uma d√©cada. (nota com todas as ades√Ķes at√© 15h de 06.01.2017).


Era fim de ano, tempo de comemorar a chegada de um novo janeiro e o alento para os horizontes queestavam por vir. O Brasil, por√©m, amanhecia impactado com a forte repercuss√£o de um crime violento cometido por um homem inconformado com o fim de uma rela√ß√£o. Entre os argumentos para assassinar o agressor usou, em sua defesa, a vida da mulher e o desejo dela por liberdade. Era 1976, exatamente 30 de dezembro; e a v√≠tima, √āngela Diniz.

Quarenta anos depois, em 1¬ļ de janeiro de 2017, tivemos nossa esperan√ßa no novo ano abatida por um feminic√≠dio que levou a viol√™ncia a outro patamar. Ao assassinar nove mulheres de um mesmo c√≠rculo de rela√ß√Ķes em Campinas (SP), Sidnei Ramis de Ara√ļjo indicou que, para lavar sua honra, n√£o bastava matar a ex-companheira, o alvo de seu √≥dio. Foi necess√°rio acabar com a vida de parentes e amigas.

Al√©m da quantidade de v√≠timas fatais no crime, a carta deixada pelo agressor confirma a pot√™ncia letal do √≥dio a mulheres. Se nos 40 anos que separam os crimes de Doca Street e Sidnei Ramis de Ara√ļjo n√≥s, mulheres brasileiras, avan√ßamos em direitos, a estrutura de domina√ß√£o patriarcal ‚Äď respons√°vel por matar 13 mulheres diariamente no pa√≠s ‚Äď conseguiu criar barreiras contra nossa conquista de uma vida plena de direitos.

Uma consulta a arquivos sobre feminic√≠dios indicou esse como primeiro caso em que o assassino constr√≥i uma narrativa em rela√ß√£o √† lei que protege mulheres e crian√ßas das agress√Ķes dom√©sticas: ‚ÄúFilho, n√£o sou machista e n√£o tenho raiva das mulheres (essas de boa √≠ndole, eu amo de cora√ß√£o, tanto √© que me apaixonei por uma mulher maravilhosa, a K√°tia) tenho raiva das vadias que se proliferam e muito a cada dia se beneficiando da lei vadia da penha!‚ÄĚ

Al√©m das investiga√ß√Ķes e da responsabiliza√ß√£o de eventuais envolvidos no crime (por a√ß√£o ou neglig√™ncia), √© necess√°rio refletir sobre como os poderes p√ļblicos t√™m colocado em xeque a Lei Maria da Penha. Apesar de ser uma das nossas maiores conquistas, junto com a aprova√ß√£o da lei do Feminic√≠dio, a puni√ß√£o dos agressores e a preven√ß√£o concreta dos crimes ainda demandam mobiliza√ß√£o social.

Uma avalia√ß√£o do Instituto de Pesquisa Econ√īmica e Aplicada (Ipea) apontou que a Lei conseguiu reduzir em 10% os homic√≠dios de mulheres por viol√™ncia dom√©stica, mas que ainda h√° diferentes graus de institucionaliza√ß√£o dos servi√ßos protetivos √†s v√≠timas pelo pa√≠s.

Isamara Filier, ao longo de 10 anos, período que coincide com a aprovação da Lei Maria da Penha, registrou cinco boletins de ocorrência contra o ex-companheiro por agressão e ameaça, e também por abuso sexual contra seu filho. Sua morte se anunciava desde 2005. Onze anos depois, com o Estado falhando na prevenção e na proteção, o crime se concretiza.

O desejo de exterminar a maior quantidade poss√≠vel de mulheres da mesma fam√≠lia ‚Äď como ficou claro na carta divulgada pela imprensa ‚Äď √© um alerta. O √≥dio dos agressores de mulheres t√™m sim potencial para construir grandes trag√©dias. √Č com essa realidade que todos os atores sociais ‚Äď os sistemas de Justi√ßa, de assist√™ncia social, e tamb√©m os de educa√ß√£o e os meios de comunica√ß√£o ‚Äď precisam lidar ao tratar da viol√™ncia contra as mulheres.

Somos o quinto país que mais assassina mulheres no mundo. Na visão de agressores como Sidnei, esta semana, ou Doca Street, 40 anos atrás, vadias somos todas nós mulheres que lutamos por liberdade e autonomia.
A morte de Isamara, seu filho, amigas e familiares demonstra que as Leis não findam em si mesmas. A violência contra as mulheres é um problema estrutural da cultura machista, racista e homo-lesbo-transfóbica, que nega às mulheres o direito a uma vida livre e plena.

N√≥s ‚Äď mulheres do movimento feminista organizado ‚Äď n√£o podemos deixar que a impunidade se perpetue. Comprometemo-nos a cobrar puni√ß√Ķes de imediato. Em paralelo aos avan√ßos nas legisla√ß√Ķes, que precisam ser implementadas verdadeiramente, seguimos tamb√©m na luta pela transforma√ß√£o da sociedade voltada √† constru√ß√£o de um pa√≠s que garanta uma vida sem viol√™ncia para todas as pessoas.


Articulação de Mulheres Brasileiras - AMB
Articula√ß√£o de Organiza√ß√Ķes de Mulheres Negras Brasileiras - AOMNB
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil - APIB
Coordenação Nacional da Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas - CONAQ
Coletivo de Mulheres Defensoras P√ļblicas do Brasil
Coletivo Nacional de Mulheres do PSOL
Grupo Marietta Baderna da RENAP nacional
GT de Mulheres de Ax√© da Rede Nacional de Religi√Ķes Afro Brasileira REAFRO
Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas - FENATRAD
Movimento de Mulheres Camponesas MMC
Movimento Articulado de Mulheres da Amaz√īnia MAMA
Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste MMTR-NE
Rede de Mulheres Negras do Nordeste
Rede Nacional Feminista de Sa√ļde Direitos Reprodutivos e Direitos Sexuais
Rede Nacional de Pessoas com HIV e Aids
Rua Juventude Anticapitalista
Secretaria Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT
Uni√£o Brasileira de Mulheres UBM
Uni√£o de Mulheres da Amaz√īnia Brasileira UMIAB
#partidA - construindo a democracia feminista

Em solidariedade: Articulação Feminista MarcoSur (America Latina)
AMB Rio, Rio de Janeiro (RJ)
AMB S√£o Paulo (SP)
AMB Mato Grosso do Sul (MS)
AMA Articulação de Mulheres do Amazonas (AM)
Articulação Aids Pernambuco, Recife (PE)
Articulação de Mulheres do Amapá (AP)
Articulação de Mulheres Indígenas do Maranhão (AMIMA, MA)
Coordenação e Articulação dos Povos Indígenas do Maranhão (MA)
Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM/Brasil)
Diretoria de Políticas para Mulheres da Federação dos Trabalhadores Rurais de Pernambuco (PE)
Federa√ß√£o dos Trabalhadores do Servi√ßo P√ļblico Municipal do Cear√° (CE)
Federação dos Trabalhadores Rurais e Agricultores e Agricultoras Familiares do Ceará (CE)
Federa√ß√£o dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino e no Servi√ßo P√ļblico no Sul do Maranh√£o (MA)
Fórum Justiça (RJ)
Fórum de Mulheres do Sertão do Araripe (PE)
Fórum de Mulheres de Jaboatão (PE)
Fórum Cearense de Mulheres (CE)
F√≥rum de Mulheres da Amaz√īnia Paraense (PA)
Fórum de Mulheres Maranhense (MA)
Fórum de Mulheres de Imperatriz (MA)
Fórum de Mulheres do Amapá (AP)
Fórum de Mulheres do Distrito Federal (DF)
Fórum de Mulheres do Espírito Santo (ES)
Fórum de Mulheres de Pernambuco (PE)
Fórum Permanente das Mulheres de Manuas (AM)
Fórum de Mulheres do Rio Grande do Norte (RN)
Levante Popular da Juventude (PA)
Movimento e Articulação de Mulheres do Estado do Pará (PA)
Movimento Ibiapabano de Mulheres (CE)
Movimento de Mulheres Solid√°ria do Amazonas (AM)
Movimento de Promotoras Legais Populares de Mau√° (SP)
Movimento de Mulheres da Floresta ‚Äď Dandara (AM)
Movimento Mais Mulheres OAB Roraima (RR)
Movimento de Mulheres Negras de Colatina e Regi√£o de Zacimba Gaba (ES)
Movimento de Mulheres de Altamira Campo e Cidade (PA)
Rede de Mulheres Negras de Pernambuco (PE)
Rede de Mulheres de Terreiro (PE)
Rede de Mulheres em Articulação da Paraiba (PB)
Secretaria Estadual de Mulheres do PT (PE)
Secretaria de Mulheres da CUT (CE)
Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Pernambuco, Recife (PE)
Sindicato dos Professores Especialistas de Imperatriz (MA)

Articulação do Movimento de Mulheres de Bairros do Recife (PE)
Associação de Mulheres Amigas de Itinga AMMIGA (BA)
Associação de Mulheres do Bacuri e Adjacências (MA)
Associação Catarinas, Florianópolis (SC)
Associação de Mulheres Buscando Libertação, Cariacica (ES)
Associação de Mulheres da Serra (ES)
Associa√ß√£o Brasileira de Mulheres da Carreira Juridica ‚Äď Espirito Santo (ES)
Bamidelê Organização de Mulheres Negras da Paraiba (PB)
Cabelaço (PE)
Casa da Mulher do Nordeste (PE)
Casa da Mulher 8 de Março (TO)
Casa Chiquinha Gonzaga (CE)
Centro de Direitos Humanos Pe. Josino (MA)
Centro Feminista de Estudos e Assessoria - CFEMEA (DF)
Cepia Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação, Ação (RJ)
Centro Acadêmico de História Bem-Te-Vis UEMA (MA)
Cidad√£s Positivas de Pernambuco (PE)
Coco de Mulheres (PE)
Coletiva de Mulheres de Lauro de Freitas (BA)
Coletiva Feminista Diadorim (PE)
Coletivo Alumi√° (SP)
Coletivo Coco das Manas (PB)
Coletivo de Mulheres Negras Carolinas (RN)
Coletivo de Lésbicas e Mulheres Bissexuais (PE)
Coletivo de Mulheres do Calafate (BA)
Coletivo de Mulheres de Jaboat√£o (PE)
Coletivo de Mulheres do Calafate (BA)
Coletivo de Mulheres de Jaboat√£o (PE)
Coletivo de Mulheres Casa Lil√°s (PE)
Coletivo de Mulheres Passirenses, (PE)
Coletivo Filhas da Luta (RS)
Coletivo Marcha das Vadias Recife (PE)
Coletivo Maria Vai Com As Outras (ES)
Coletivo Mulher Vida (PE)
Coletivo Quebrando Vidraças (PE)
Comitê Popular Urbano de Belém (PA)
Cunh√£ Coletivo Feminista (PB)
Diaconia Organização CrIstã de Defesa dos Direitos Humanos e Promoção da Justiça (Fortaleza - CE)
Espaço Feminista URI HI (AM)
Espaço Mulher (PE)
FASE
Gendac Genero, Mulher, Desenvolvimento e Ação (PI)
Grupo Alternativo de Geração de Renda da Economia Solidária (PA)
Grupo Cidadania Feminina (PE)
Grupo Curumim (PE)
Grupo Cultural Femini Nação (PE)
Grupo de Mulheres Jurema (PE)
Grupo de Pesquisa/Uepa: Movimentos Sociais, Educacao e Cidadania na Amazonia ‚Äď GMSECA (PA)
Grupo de Estudos e Pesquisas em Autobiografias, Racismo e Antirracismo na Educaçção UFPE (PE)
Grupo de Mulheres Jurema (PE)
Grupo Mulher Maravilha (PE)
GTP+ (PE)
IMAIS (BA)
Instituto de Estudos de Gênero IEG-UFSC (SC)
Instituto de Mulheres Negras do Amap√° IMENA (AP)
Instituto Papai (PE)
Instituto Inegra (CE)
Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos (PA)
Instituto Maria da Penha (CE)
Instituto em Tempos de Ayok√° (CE)
Instituto Amaz√īnia Solid√°ria IAMAS (PA)
Laborat√≥rio de Rela√ß√Ķes de G√™nero e Familia UDESC (SC)
Mirin Brasil (PE)
N√ļcleo Am√©lias da Marcha Mundial de Mulheres ( RN)
N√ļcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher UFMG (MG)
N√ļcleo de Identidades de G√™nero e Subjetividades UFSC
N√ļcleo de Mulheres de Roraima ‚Äď NUMUR (RR)
N30 Pesquisas (RJ)
Projeto de Extens√£o Maria da penha/UnB (DF)
Redeh Rede de Desenvolvimento Humano, (RJ)
Secretaria Estadual de Mulheres do PT (PE)
Secretaria de Mulheres da CUT (CE)
Sindicato das Trabalhadoras Domésticas de Pernambuco, Recife (PE)
Sindicato dos Professores Especialistas de Imperatriz (MA)
S√≠tio Agatha ‚Äď Espa√ßo de Agroecologia Militante Feminista √Čtnico-Racial
SOS Corpo - Instituto Feminista para Democracia (PE)
Tribo Aldeia da Juventude (PA)
Uial√° Mukaji Sociedade de Mulheres Negras (PE)
Zalika ‚Äď Maternidade, Parto e Inf√Ęncia (ES)

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