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Tráfico de pessoas no Mediterrâneo cresce em escala e no calendário

Giorgio_Perottino_Reuters.png O ano de 2014 poderá ser lembrado como aquele em que o tráfico de pessoas por mar se tornou um negócio non-stop. A conclusão é do Frontex, estrutura que coordena as fronteiras marítimas da Europa. Nem o inverno faz parar as máfias que traficam pessoas.

A organização fala de um nível de tráfico de pessoas no inverno sem precedentes. Desde 1 de novembro, quando começou a Operação Triton, mais de 11 mil migrantes foram salvos no Mediterrâneo, em pelo menos 77 incidentes.
Alteração do modus operandi

Na semana passada o mundo assistiu com incredulidade à mudança a que os especialistas se referem: dois cargueiros, deixados sem tripulação no mar, com 1.200 imigrantes ilegais a bordo, apontados para rotas com destino à Europa; desde agosto são já 15 os incidentes como estes no Mediterrâneo.

O Frontex chama-lhe uma rápida adaptação de estratégia. As máfias usam agora navios de maiores dimensões e não pequenas embarcações, como foi comum ao longo dos últimos anos.

São agora navios em fim de vida, de cerca de 75 metros, angariados sobretudo no sudeste da Turquia - sobretudo em Mersin, que acaba muitas vezes por ser o ponto de partida desta viagem de centenas de imigrantes ilegais que desesperam para fugir a condições difíceis, desde logo à guerra. Mersin é “alcançável” por centenas de sírios que fogem ao conflito.

Os navios seguem em direção à Itália, que continua a ser o principal destino de refugiados do Médio Oriente. As tripulações são contratadas em locais por vezes tão distantes como a Rússia. Abandonam o barco a dado ponto da viagem, desligando antes o Sistema de Identificação Automático (obrigatório para navios acima das 300 toneladas). A embarcação fica assim invisível para os radares das autoridades, o que dá tempo à tripulação em fuga para escapar à detenção.

Os refugiados sírios têm normalmente mais dinheiro do que os migrantes asiáticos ou vindos da África subsaariana. Os traficantes aproveitam-se disso mesmo, argumentando ainda com uma “maior segurança” para quem quer fugir da guerra, perseguições ou pobreza nestes navios de maiores dimensões, ao invés das pequenas barcaças. E fazem-se cobrar.

“A elevada procura torna este método rentável”, garante Antonio Saccone, chefe de Análise Operacional do Frontex, que acrescenta: “Mostra quão poderosas e sofisticadas se tornaram estas redes de tráfico. Não há dúvida que as costas do Mediterrâneo estão numa séria crise”.

“Estamos sós, sem tripulação, ajudem-nos”

O contato, via rádio ou telefone, é quase sempre idêntico nos casos que já foram registados. Apelos que são apenas uma das faces desta preocupante realidade de tráfico de pessoas. Gente que põe em risco a própria vida para tentar atingir a Europa e uma vida melhor.

O porta-voz da OIM Joel Millman, citado pela France Presse, avançou que, devido à guerra, a atual evacuação de cidades “representa milhares de migrantes por mês”.

Razões para que Vicent Cochetel, o diretor europeu do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, venha dizer que esta é uma situação preocupante “que não pode continuar a ser ignorada pelos governos europeus. Precisamos de uma urgente ação concertada no Mediterrâneo”.

Cochetel vai mais longe, ao defender alternativas legais a estas viagens perigosas: “Sem formas seguras dos refugiados encontrarem segurança na Europa, não conseguiremos reduzir os múltiplos riscos e perigos que estas viagens representam.”




Fonte: RTP Notícias

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